Golf Iémen. Marinha dos Estados Unidos interceta navio iraniano com compostos para explosivos

Golf Iémen. Marinha dos Estados Unidos interceta navio iraniano com compostos para explosivos

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A Marinha norte-americana intercetou no Golfo de Omã um navio iraniano sem bandeira carregado de compostos químicos que podem ser utilizados para fazer explosivos.

golf epa01914080 American Navy soldiers seen on the top of the USS HIGGINS (DDG 76)  destroyer which is docked in Haifa port North of Israeli as part of the Juniper Cobra 10 joint exercise with the Israeli Navy, 29 October 2009.  EPA/ATEF SAFADI / POOL

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ATEF SAFADI / POOL/EPA

ATEF SAFADI / POOL/EPA

A Marinha norte-americana intercetou na semana passada, no Golfo de Omã, um navio iraniano sem bandeira carregado de compostos químicos que podem ser utilizados para fazer explosivos, anunciou este domingo a 5.ª Frota Naval dos Estados Unidos.

“As forças norte-americanas descobriram 40 toneladas de fertilizante de ureia, um composto químico com aplicações agrícolas que também é conhecido por ser utilizado como um precursor explosivo”, lê-se num comunicado da frota com base no Bahrein.

O incidente ocorreu na terça-feira, 18 de janeiro, “durante um embarque para verificação da bandeira e subsequente inspeção”, segundo o comunicado citado pelas agências noticiosas France-Presse, Associated Presse e EFE.

O navio era proveniente do Irão e navegava por uma rota em águas internacionais “historicamente utilizada para o tráfico de armas para os Houthis do Iémen”, de acordo com a declaração das forças norte-americanas.

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Trata-se de um grupo rebelde xiita apoiado pelo Irão que está em guerra com o Governo internacionalmente reconhecido do Iémen.

O mesmo navio iraniano já tinha sido intercetado em fevereiro de 2021, ao largo da costa da Somália, com um carregamento de armas de guerra a bordo, segundo os militares norte-americanos.

“Na sequência da interceção de 18 de janeiro, a Marinha dos EUA transferiu o navio, a carga e cinco tripulantes iemenitas para oficiais da Guarda Costeira do Iémen no dia 21 de janeiro”, acrescenta a 5.ª Frota Naval no comunicado.

A apreensão agora divulgada surge num momento de grande tensão na região: em 17 de janeiro, os Houthis levaram a cabo um ataque sem precedentes nos Emirados Árabes Unidos com ‘drones’ (aviões não tripulados) e mísseis, em que morreram três pessoas.

Em resposta, a coligação liderada pela Arábia Saudita que ajuda o Governo iemenita a combater os rebeldes lançou ataques aéreos contra posições dos Houthis.

A coligação reconheceu ter atacado Sanaa e Hodeida, onde morreram pelo menos 17 pessoas, mas negou ter bombardeado uma prisão em Saada, um bastião Houthi no Norte, que matou pelo menos 80 pessoas e feriu mais de 100.

A coligação e os seus aliados, incluindo os Estados Unidos, acusam regularmente o Irão de apoiar os Houthis com meios militares, o que Teerão nega.

Com base em Manama, capital do pequeno reino insular do Bahrein, a Quinta Frota da Marinha norte-americana efetua ações de vigilância no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e na Ásia Central.

A atual guerra no Iémen matou 130.000 pessoas desde 2015, tanto civis como combatentes, e exacerbou a fome e a miséria em todo o país.

O conflito no Iémen é considerado pela ONU como a maior tragédia humanitária atual do planeta: 80% da população do país necessita de algum tipo de assistência para colmatar as necessidades básicas.

Localizado no Médio Oriente, junto ao Mar Arábico, Golfo de Aden e Mar Vermelho, e com fronteiras com Omã e a Arábia Saudita, o Iémen tem uma população de cerca de 33 milhões de pessoas.

A Liga Árabe pediu este domingo a todos os países que considerem os rebeldes houthis no Iêmen como uma “organização terrorista”, após o ataque de mísseis de segunda-feira, contra os Emirados Árabes Unidos (EAU), que provocou três mortes.

Numa sessão extraordinária realizada hoje no Cairo, a Liga Árabe pediu a “todos os países que classifiquem o movimento houthi como uma organização terrorista, na sequência de ataques com mísseis e aviões não tripulados (‘drones’) contra os Emirados Árabes Unidos”.

Num comunicado, a organização pan-árabe pediu igualmente ao Conselho de Segurança da ONU que tome “uma postura firme e unida” contra os ataques dos insurgentes houthis e apoiou o direito dos EUA à “legítima defesa”, para responder às “agressões ao direito internacional”.

Na passada segunda-feira, os rebeldes xiitas, apoiados pelo Irão, atacaram uma zona do aeroporto internacional de Abu Dhabi e uma zona industrial desta cidade, provocando uma severa resposta da coligação militar liderada pela Arábia Sauita contra as posições houthis no Iémen.

Ao longo desta semana, a coligação lançou um violento ataque contra a capital do Iémen, Saná, que provocou 14 mortos e 11 feridos.

Na sexta-feira, aviões de combate da coligação realizaram uma ação em que destruíram a torre de telecomunicações na cidade de Al Hudeida, o que causou uma interrupção total do serviço de Internet em todo o país, enquanto um outro ataque, nesse mesmo dia, contra um centro de detenção em Saada, no norte do Iémen, provocou quase 90 mortos e mais de 200 feridos.

Após o ataque aos EAU, o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que o seu Governo está a reconsiderar a possibilidade de voltar a incluir os houthis na sua lista de organizações terroristas.

No início do ano passado, o Governo dos EUA tinha removido os houthis dessa lista, revertendo uma decisão anteriormente tomada pelo ex-Presidente Donald Trump, nos seus últimos dias no poder.

A decisão de Biden foi tomada “em reconhecimento à terrível situação humanitária no Iémen”, palco da pior tragédia humanitária do mundo, segundo a ONU.

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